Antes de iluminar um novo espaço, esta madeira já carregava outra função: fazia parte de uma antiga cerca de fazenda do interior paulista.
Resgatada após a substituição da estrutura original, foi preservada em sua forma irregular, conservando cavidades, relevos e marcas construídas pelo tempo — registros que permanecem visíveis na nova peça.
A estrutura metálica posterior mantém a madeira afastada da parede e cria o espaço necessário para que a luz se projete ao seu redor. Em vez de partir da frente da peça, a iluminação nasce por trás da matéria e desenha uma aura luminosa que acompanha seu contorno natural.
Na face da madeira, parafusos originalmente utilizados na fixação de dormentes atravessam a peça e a conectam à estrutura metálica. Mantidos aparentes, deixam de ser apenas elementos de fixação e passam a integrar a linguagem da obra.
Quando acesa, a luminária revela uma nova leitura da matéria. Reentrâncias, vazios e irregularidades permitem pequenas passagens de luz, enquanto a silhueta da madeira se projeta sobre a superfície ao fundo.
Aquilo que um dia delimitava um espaço passa agora a desenhá-lo com luz.